Alzheimer: abordagem não-farmacológica

As demências podem cursar, na maioria dos casos com sintomas comportamentais e psicológicos (BPSD – behavioral and psychological symptoms of dementia). Tais sintomas, e, em especial, na demência de Alzheimer, por ser esta a forma mais freqüente dessas condições, trazem importante impacto para o cuidador. Esses cuidadores, especialmente se informais (familiares, por exemplo) estarão expostos a agravos de sua saúde psíquica e mesmo física.
Os BPSD são um conjunto de sintomas e sinais que se relacionam a transtornos da percepção, do conteúdo do pensamento, do humor ou do comportamento. Sua freqüência chega a taxas superiores a 75% na demência de Alzheimer, apresentando-se sob a forma de apatia, depressão, agitação/agressividade, disforia, irritabilidade, alterações de sono. 
Tais sintomas podem ser muitas vezes controlados com medicações. Para tanto o uso de neurolépticos tem sido habitual. Contudo as recomendações provenientes de estudos científicos são de que sua introdução seja postergada à aplicação de medidas não farmacológicas, e mesmo assim, seu uso prolongado deve ser evitado, especialmente em face a evidências de sua associação com aumento da taxa de mortalidade.
Segundo estudo publicado na revista médica "The Lancet Neurology”, drogas antipsicóticas muito usadas para tratar distúrbios de comportamento de pacientes com Alzheimer podem dobrar a taxa de mortalidade de idosos, após dois ou três anos de tratamento. Estudos anteriores já demonstraram os benefícios no curto prazo (de 6 a 12 semanas) do tratamento antipsicótico para os sintomas neuropsiquiátricos do Alzheimer, mas também revelaram um aumento dos efeitos adversos, como infecções pulmonares, sonolência e hemiplegias (paralisias que impedem movimentos de um dos lados do corpo). 
O Hiléa – Centro de Vivência para a Maturidade - atento a uma abordagem ampla e atualizada para portadores da Doença de Alzheimer, visando também acolher familiares/cuidadores, engloba na sua atenção ao doente com demência, práticas que visam minorar o prejuízo dos BPSD, através de uma abordagem não-farmacológica. Após afastarem-se causas clínicas, como infecções, desidratação, alterações metabólicas dentre outras, ofertam-se programas de atividade física adequada, emprego de música, atividades artístico-culturais e recreativas, bem como ressocialização.
A metodologia utilizada é praticada pela Hearthstone Alzheimer Care, baseada em Boston, uma rede de instituições especializadas em portadores de Alzheimer, fundada por John Zeisel, sociólogo com doutorado em arquitetura e design, consultor do Hiléa. A abordagem não-farmacológica baseia-se em uma ação interdisciplinar entre especialidades médicas e não médicas. Em linhas gerais, consiste em uma combinação entre atividades, ambiente físico e comportamento da equipe com o intuito de reeducar a pessoa por meio do resgate do aprendizado e do sentido das coisas. Para isso, há uma forte atuação na história afetiva, nas emoções do paciente e seus familiares.

Dentro de um ambiente especialmente desenhado para estimular e oferecer segurança, são realizadas atividades seqüenciais ao longo do dia inteiro que estimulam a parte cognitiva, emocional, física, afetiva e artística.
O Dr. Jader Andrade, geriatra do Hiléa, em funcionamento há mais de um ano, ressalta a importância da abordagem não farmacológica: “Para os pacientes submetidos a esta abordagem observamos uma queda acentuada na dose de neurolépticos, uma vez que os problemas de comportamento (BPSD) sofrem uma nítida melhora”.

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